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ENTRE OS MAIORES PRODUTORES DE LIXO PLÁSTICO ESTÁ O BRASIL, EM QUARTO LUGAR

Publicado em 22/12/2019 por: João Lara Mesquita

A pesquisa foi baseada no What a waste 2.0: A global snapshot of solid waste management to 2050, um estudo do Banco Mundial. O WWF analisou dados de mais de 200 países. Estados Unidos, China e Índia, nessa ordem, são os maiores poluidores. Abaixo do Brasil, estão Indonésia, Rússia, Alemanha, Reino Unido, Japão e Canadá. Eles ocupam, respectivamente, do quinto ao décimo lugar.

O Brasil produz 11,35 milhões de toneladas anuais de lixo plástico. Mas recicla apenas 145 mil toneladas, 1,28% do total. O País só não está mais “feio nessa fotografia” graças a Estados Unidos e China, as maiores potências mundiais. Os maiores produtores de lixo plástico, os norte-americanos reciclam 34,6% do lixo plástico. Contudo, a produção anual é alta: mais de 70 milhões de toneladas. Já a China recicla 21,92% das 54,7 milhões de toneladas que produz por ano. Ou seja, esses países reciclam um volume superior ao total de lixo produzido no Brasil. Mas deixam de reciclar um volume ainda maior. Nos Estados Unidos, são mais de 45 milhões de toneladas anuais não recicladas. Na China, mais de 42 milhões.

A média mundial de reciclagem plástica é de 9%. Mas, no ranking dos dez maiores poluidores, não é apenas o Brasil que recicla menos que a média. Índia (5,73%), Indonésia (3,66%), Rússia (3,58%) e Japão (5,68%) também estão bem abaixo dela. Do total de resíduos plásticos produzidos no Brasil, 91% são coletados, segundo o WWF. Mas, no final, quase 8 milhões de toneladas não são reaproveitadas. Vão parar em aterros sanitários. Outras 2,4 milhões de toneladas são descartadas em lixões a céu aberto.

“Nosso método atual de produzir, usar e descartar o plástico está fundamentalmente falido. Os maiores produtores de lixo plástico ainda não conseguiram debelar o problema. É um sistema sem responsabilidade. E atualmente opera de uma maneira que praticamente garante que volumes cada vez maiores de plástico vazem para a natureza”, disse Marco Lambertini, diretor-geral do WWF-Internacional. A instituição deixa claro, no entanto, que plástico não é “inerentemente nocivo”. Gera milhares de benefícios para a sociedade. “Infelizmente, a maneira com a qual indústrias e governos lidaram com o plástico e a maneira com a qual a sociedade o converteu em uma conveniência descartável transformou esta inovação em um desastre ambiental."

Apesar destes alertas em escala mundial, o Brasil ainda não tem qualquer política eficiente em nível de Estado para o problema apesar de ser um dos maiores produtores de lixo plástico. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, dos tempos de Lula, é um tremendo fracasso. Hoje, alguns Estados e municípios proíbem certos materiais plásticos, como canudinhos, por exemplo. Mas é muito pouco para o nível da catástrofe que se avizinha. Passado quase um ano da nova administração, o Ministério do Meio Ambiente continua perdido em polêmicas menores com ONGs e ativistas, esquecendo-se de tomar providências para minimizar o problema. E a indústria do plástico no Brasil, apesar de pujante, diz que o problema não é com ela. Enquanto não agimos, a África lidera o banimento do material no mundo.

João Lara Mesquita

Instituto Humanitas Unisinos