Afrodescendentes Online

Pergunta:
como foi a inclusão social do negro nos primeiros anos pós a abolição, aqui no Brasil? poderia me indicar alguma coisa que trate do assunto?



Resposta:
Prezada Valéria, /// Agradecemos seu contato e pedimos escusas pela demora na resposta, devido a problemas de conexão com o nosso Servidor. /// Valéria, podemos começar dizendo que NÃO houve "inclusão" de qualquer espécie dos negros "libertos", "nos primeiros anos pós a abolição". /// Basta ler o texto da Lei Áurea - que pode ser encontrada no site oficial do Governo do Brasil /// http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lim/LIM3 353.htm /// A Lei Nº 3.353, de 13 de Maio de 1888, que Declara extinta a escravidão no Brasil, tem apenas dois artigos: /// (conforme a grafia da época) Art. 1°: É declarada extincta desde a data desta lei a escravidão no Brazil. e Art. 2°: Revogam-se as disposições em contrário. /// Percebeu? A "lei" não diz absolutamente nada sobre a vida dos negros e negras "daqui para adiante". Vão viver de quê? Vão trabalhar aonde? Vão morar aonde? /// Foi assim que os escravizados libertos foram morar nos morros, trabalhar de vendedores e biscateiros, as mulheres foram trabalhar em "casas de família", fazendo surgir a figura das empregadas domésticas. Não demorou muito para que fosse instituída a carteira de trabalho e, quem não tivesse o documento, era preso por vadiagem!!! Os negros não tinham permissão de trabalho, nem carteira de trabalho. Conclusão: as cadeias começam a ficar lotadas de negros "vadios" (presos por vadiagem). Isto sem falar nas eleições, logo que foi proclamada a República, das quais os negros não podiam participar. Os analfabetos eram proibidos de votar!!! /// Valéria! A história do Brasil é riquíssima em leis e iniciativas que procuram não considerar, degradar ou aniquilar o povo negro. /// Mas, no meio de tudo isso, é importante prestar atenção em alguns negros engenheiros, médicos, dentre outros. /// Destaco, a importância dos irmãos Rebouças (antes da Abolição), dos quais você pode saber um pouco, na matéria da Gazeta do Povo - no link /// http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e- cidadania/historia/o-parana-segundo-os- reboucas-14nvrhwnwihimmahu56zyl2sa /// Sábia sua solicitação de material que trate do assunto porque, diante de tantos absurdos, de tantos abusos à pessoa humana, precisamos estudar bastante para (tentar) entender o que aconteceu no passado, buscando atuar no presente e visando consertar os pilares degradantes. Isto na proposta de que se eleve negros e negras, suas culturas e valores ao patamar de importância fundamental que tem para a constituição da nação brasileira em todos os níveis. /// Adiante, coloco alguns textos que podem ser encontrados e copiados direto para o computador, em formato PDF: /// "O Pós-Abolição - Perspectivas dos Libertos e Projetos de Brasil - Súditos, Bestializados ou Cidadãos Negros?, por Laiana Lannes - no link /// http://www.casaruibarbosa.gov.br/arquivos/file/ff 20-20LaianaLannes.pdf /// "Migrações negras no pós-abolição do sudeste cafeeiro (1888-1940), por Carlos Eduardo Coutinho da Costa - no link /// http://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S2237- 101X2015000100101 /// (Texto contemporâneo de leitura menos teórica, tratando sobre a mulher negra a partir da Abolição ) "Preta Simoa e a Abolição no Ceará: uma história de esquecimento" - no link (matéria direto no site) /// http://www.revistaforum.com.br/questaodegenero /2014/03/25/preta-simoa-e-abolicao-ceara/ /// Como bela provocação, mostro a você uma coletânea de Bibliografia sobre o Negro, organizada pelo grande intelectual Prof. Dr. Kabengele Munanga, de Bakwa Kalonji (antigo Zaire), que está radicado no Brasil e é professor na Universidade de São Paulo - USP. A coletânea tem 596 páginas só de bibliografia!!! - no link /// http://www2.unifap.br/neab/files/2016/03/100- ANOS-DE-BIBLIOGRAFIA-SOBRE-O- NEGRO.pdf /// Desta Bibliografia, destaquei alguns títulos sobre Abolição. Talvez você encontre algum/alguns disponível em PDF, na internet ou no site do Domínio Público: /// CASTRO, Hebe Maria Mattos de. O estranho e o estrangeiro algumas considerações sobre as relações entre liberdade e negação ao trabalho , no pós-abolição. In: Instituto De Filosofia E Ciências Humanas/UERJ (org.). Seminário Cativeiro e Liberdade, Rio de Janeiro, 16 a 20 de novembro de 1988. Anais... Rio de Janeiro: UERJ, p. 90-106, 1989. /// NOGUEIRA, Marco Aurélio. Monarquia, abolição, república Joaquim Nabuco e as desventuras do liberalismo no Brasil. São Paulo, 1982, 282p. Tese (Doutorado) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. /// FONSECA, Marcus Vinicius. A educação dos negros: uma nova face do processo de abolição do trabalho escravo no Brasil. In: Educação em Revista, Belo Horizonte, número especial, set., 2000. /// FONSECA, Marcus Vinicius. Concepções e práticas em relação à educação dos negros no processo de abolição do trabalho escravo no Brasil (1867-1889). Belo Horizonte, 2000. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. /// SCHIMMELPEENG, Giseça Paschen. A mulher e a Abolição. Fortaleza: Secretaria da Cultura e Desporto, 1984 /// CARDOSO, Paulino de (e outros). Abolição e branqueamento. In: Ciência Hoje, - Encarte Especial. SBPC, s.l., 4(48), 1988. /// SENNA, Orlando. Preto-e-branco ou colorido. In: Revista Brasileira Folclore, 73(3): 1-80, abril 1979. Número especial: O Negro e a Abolição. Petrópolis(RJ): Ed. Vozes. /// Para concluir, um texto do próprio Professor Kabengele Munanga sobre "A difícil tarefa de definir quem é negro no Brasil." /// Valéria, espero ter cooperado. Se precisar, retorne. Um abraço, Ana