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CARNE SIM OU CARNE NÃO?

Publicado em 12/8/2019 por: Raúl Rejón, El Diario

Guia rápido para entender por que a ONU pede uma mudança na alimentação para mitigar a crise climática.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da ONU recebeu a tarefa, após o Acordo de Paris, de avaliar a relação entre o uso do solo e o aquecimento global da Terra. Nesta quinta-feira, publicou suas conclusões que deixam uma coisa clara: é preciso transformar a maneira como os humanos obtém os alimentos para salvar o planeta dos efeitos da crise climática. E isso implica mudar sua dieta.

A reportagem é de Raúl Rejón, publicada por El Diario, 08-08-2019. A tradução é do Cepat.

Como a comida influencia a crise climática

A comida? Após anos e anos abordando a emissão de gases do efeito estufa para gerar eletricidade em centrais térmicas ou o uso de combustíveis fósseis para o transporte, a ONU diz que é preciso mudar a forma de produzir alimentos. A ciência indica que ao menos 23% dos gases responsáveis pela mudança climática provêm dessa forma de obter a comida. O IPCC calculou que a quantidade de gás que ainda seria possível emitir para conter o aumento da temperatura em 1,5 grau é de 570 gigatoneladas. Se não forem obstruídos todos os focos, os números não fecham.

Carne, mas de outra maneira

Os especialistas não declaram expressamente “deixe a carne”. Sua mensagem é que “há certas opções de dieta que impõem maiores necessidades de solo e água e causam mais emissões de gases”. Para os produtos animais, pedem que sejam consumidos aqueles que utilizem sistemas com menores demandas de energia (que, por sua vez, podem lançar mais CO2).

As explorações intensivas utilizam mais água e mais eletricidade que as extensivas. As extensivas, isso sim, precisam de mais espaço. É uma equação complicada obter o mesmo volume de produtos animais, com técnicas mais extensivas. Portanto, consumir produtos animais obtidos com sistemas que usem menos energia, como pede o IPCC, implica um consumo menos intensivo de carne.

Garantir que haja comida

É uma via de duplo sentido. Os métodos de produção exacerbam a crise climática e os efeitos da mudança climática colocam em risco o fornecimento de alimentos. Afeta toda a cadeia: as colheitas são piores e assim há menos comida disponível. Isso piora o acesso à comida: torna os alimentos mais caros. Além disso, os próprios alimentos são de pior qualidade.

Degradação do solo

O uso intensivo do solo o arrasta para sua degradação: desmata, aplica grandes quantidades de fertilizantes e multiplica o gado. O solo tratado desse modo deixa de ser um depósito de gases para se tornar um emissor de gases.

Além disso, os especialistas observaram que o solo explorado sob estas premissas tende a se degradar. São mais vulneráveis. E deixam de produzir. A ONU recorda que é necessário continuar utilizando o solo para obter comida, sendo assim, esgotá-lo é uma má política. “Há um limite para o que é permitido fazer. Alguns efeitos podem ser irreversíveis”, esclarece o IPCC.

Raúl Rejón, El Diario

IHU